Ter várias opções de financiamento parece uma vantagem, até ser preciso escolher uma. Este artigo reúne os critérios que ajudam a decidir entre diferentes programas de financiamento e explica porque vale a pena avaliar os programas de financiamento disponíveis com um diagnóstico prévio.
- A escolha entre programas de financiamento depende do objetivo do projeto, do setor de atividade e da dimensão da empresa.
- O Portugal 2030 organiza-se em programas temáticos, como o COMPETE 2030, e em programas regionais, cada um com prioridades e critérios próprios.
- Comparar requisitos e prazos entre programas evita perder uma janela de candidatura por falta de preparação atempada.
- Cruzar mais do que um programa no mesmo projeto pode reforçar o financiamento total disponível, desde que não haja duplicação sobre a mesma despesa.
- Um diagnóstico prévio evita candidaturas a programas sem enquadramento real, poupando tempo e recursos à empresa.
- Escolher o programa certo antes de fechar o desenho do projeto tende a resultar em candidaturas mais sólidas e com menos correções durante a análise.

O primeiro critério é o objetivo do projeto. Um investimento em inovação tecnológica aponta, em regra, para programas temáticos como o COMPETE 2030, enquanto um projeto com impacto direto numa região específica pode encontrar condições mais favoráveis num programa regional.
O segundo critério é o setor de atividade. Alguns avisos são desenhados especificamente para setores como turismo, indústria transformadora ou serviços, com critérios de elegibilidade que variam consoante o código de atividade económica da empresa.
O terceiro critério é a dimensão da empresa. Micro, pequenas, médias e grandes empresas têm, muitas vezes, acesso a taxas de financiamento diferentes, e alguns avisos são dirigidos exclusivamente a PME, com exclusão de empresas de maior dimensão.
"Antes de perguntar qual é o melhor programa, é preciso perguntar para que tipo de projeto, setor e empresa esse programa foi desenhado. É aí que a maior parte das escolhas erradas acontece." — Miguel Prata, MP Negócios
Cada programa define os seus próprios requisitos de elegibilidade, desde a situação fiscal e contributiva da empresa até à natureza específica das despesas aceites. Comparar estes requisitos lado a lado ajuda a perceber, com antecedência, se o projeto tem hipótese real de ser aprovado.
Os prazos também variam significativamente entre programas. Vale a pena consultar o calendário de avisos dos programas de financiamento do Portugal 2030, o que significa que um projeto pronto pode ficar à espera durante meses até ao próximo período de candidatura, ou perder a oportunidade se o aviso já tiver fechado.
É preciso comparar o montante de financiamento disponível, mas também o tempo médio de decisão de cada programa, os documentos exigidos e as obrigações que a empresa assume após a aprovação, como relatórios de execução ou auditorias.
"Um programa com um valor de financiamento mais elevado nem sempre é a melhor escolha, se os prazos ou os requisitos não forem compatíveis com o momento em que a empresa está a viver." — Miguel Prata, MP Negócios
Um projeto empresarial mais amplo pode, em alguns casos, combinar diferentes tipos de financiamento em componentes distintas. Um exemplo é usar um incentivo ao investimento para financiar equipamento e, em simultâneo, recorrer a um incentivo ao recrutamento para a contratação de novos colaboradores associados ao mesmo projeto.
Esta combinação exige, no entanto, cuidado redobrado. Não pode existir duplicação de financiamento sobre a mesma despesa elegível, pelo que o desenho do projeto deve separar claramente que custos são financiados por cada programa.
Quando bem estruturado, o cruzamento de programas permite reduzir o esforço financeiro próprio da empresa de forma mais significativa do que recorrer a um único mecanismo isoladamente.
Um diagnóstico prévio analisa o projeto, a empresa e os programas disponíveis antes de qualquer candidatura ser submetida. Esta fase permite identificar, com maior segurança, qual o programa, ou combinação de programas, mais adequado à situação concreta.
Sem este diagnóstico, é frequente que as empresas avancem para candidaturas com base apenas no montante de financiamento anunciado, sem confirmar se cumprem todos os requisitos, o que aumenta o risco de recusa ou de correções significativas durante a avaliação.
O diagnóstico prévio também ajuda a antecipar obrigações futuras, como auditorias ou relatórios de execução, evitando que a empresa se comprometa com um programa cujas exigências de acompanhamento não estão preparadas para cumprir.
"Escolher o programa certo não é só sobre conseguir a aprovação. É sobre a empresa conseguir cumprir, sem sobressaltos, tudo o que aceitou ao candidatar-se." — Miguel Prata, MP Negócios
Tem um projeto em mente e não sabe que programa de financiamento escolher? Vamos falar sobre o seu projeto.
Conheça a nossa consultoria para programas de financiamentoÉ possível candidatar-se a mais do que um programa de financamento em simultâneo, para o mesmo projeto?
Em alguns casos sim, desde que as componentes financiadas por cada programa sejam distintas e não haja duplicação de financiamento sobre a mesma despesa.
Vale sempre a pena escolher o programa de financiamento com o valor de financiamento mais elevado?
Não necessariamente. Prazos, requisitos e obrigações posteriores à aprovação pesam tanto na decisão como o montante disponível.
Um diagnóstico prévio garante que a candidatura ao programa de financiamento vai ser aprovada?
Não. O diagnóstico avalia a viabilidade e o enquadramento do projeto, mas a decisão final cabe sempre à entidade gestora responsável por cada programa.
Com que antecedência devo começar a preparar a candidatura a um programa de financiamento?
O ideal é iniciar a preparação antes da abertura do aviso, uma vez que os prazos de candidatura costumam ser mais curtos do que o tempo necessário para reunir toda a documentação exigida.