O termo “apoios financeiros” é usado, muitas vezes, como se fosse uma categoria única. Na prática, agrupa mecanismos com regras, prazos e riscos diferentes. Este artigo explica o que são apoios financeiros, como se distinguem entre si e ajuda a empresa a identificar os apoios financeiros mais adequados ao seu projeto.
- Os apoios financeiros para empresas incluem incentivos fiscais, incentivos ao investimento, incentivos ao recrutamento e financiamento bancário, cada um com regras próprias.
- Um incentivo fiscal reduz a carga fiscal da empresa, como o SIFIDE ou os Benefícios à Capitalização, e não envolve normalmente um pagamento direto, mas sim uma redução dos impostos pagos.
- Um incentivo ao investimento, como os disponíveis no Portugal 2030, atribui financiamento a fundo perdido ou reembolsável a projetos elegíveis.
- Um incentivo ao recrutamento ou a estágios, gerido pelo IEFP ou através de estágios FCT, apoia a contratação ou a formação de colaboradores.
- O financiamento bancário depende de negociação direta com instituições de crédito e não é, tecnicamente, um apoio público.
- O processo de um apoio financeiro passa por diagnóstico, candidatura, execução do projeto, auditorias e encerramento formal.
- Nem todos os projetos têm enquadramento em todos os tipos de apoio, por isso a análise de viabilidade acontece sempre antes da candidatura.
- Escolher o apoio financeiro errado para o projeto atrasa o processo e pode gerar risco de devolução de verbas em auditoria.
Apoios financeiros é a designação genérica usada para qualquer mecanismo, público ou privado, que ajuda uma empresa a financiar um projeto de investimento, contratação ou desenvolvimento. Esta generalização é útil na conversa do dia a dia, mas esconde diferenças importantes entre os mecanismos.
Alguns apoios financeiros não envolvem qualquer transferência direta de dinheiro. Um incentivo fiscal, por exemplo, funciona como uma dedução na coleta de imposto, não como um subsídio pago à empresa. Já um incentivo ao investimento pode envolver um pagamento a fundo perdido ou um reembolso parcial de despesas elegíveis.
Vale a pena consultar o guia oficial de apoios financeiros para empresas do gov.pt, que reúne os principais mecanismos públicos disponíveis e as entidades responsáveis pela sua gestão, como o IAPMEI.
“Tratar todos os apoios financeiros da mesma forma é o primeiro erro de muitas candidaturas. Cada mecanismo tem uma lógica jurídica e financeira própria.” — Miguel Prata, MP Negócios
Os incentivos fiscais atuam sobre a fatura de imposto da empresa. O SIFIDE, direcionado a despesas de investigação e desenvolvimento, e os Benefícios à Capitalização, ligados ao reforço de capitais próprios, são os enquadramentos mais comuns neste grupo.
Os incentivos ao investimento financiam projetos concretos, como a aquisição de equipamento, a expansão de instalações, o investimento em investigação e desenvolvimento, a modernização de processos ou projetos de internacionalização. O Portugal 2030, através de programas como o COMPETE 2030 ou os programas regionais, é a principal fonte deste tipo de apoio.
Os incentivos ao recrutamento apoiam a contratação, a formação ou a integração de colaboradores. O IEFP gere medidas de apoio à contratação, enquanto a FCT financia bolsas e estágios ligados à formação avançada.
O financiamento bancário segue uma lógica diferente dos três anteriores: não é um apoio público, mas sim crédito negociado com uma instituição financeira. A preparação de um dossier de pedido de proposta de crédito sólido influencia directamente a probabilidade de aprovação e as condições obtidas.
“Financiamento bancário e incentivo público resolvem problemas diferentes. Confundir os dois leva empresas a procurar o mecanismo errado para o objetivo que têm.” — Miguel Prata, MP Negócios
Antes de qualquer candidatura, é necessário perceber se a empresa e o projeto reúnem os requisitos do enquadramento pretendido. Esta fase evita avançar para candidaturas sem hipótese real de aprovação.
Segue-se a preparação de toda a documentação exigida pelo aviso ou pela instituição bancária, incluindo memória descritiva, orçamento e, quando aplicável, indicadores de resultado do projeto.
Após a aprovação, a empresa tem de executar o projeto de acordo com o que foi candidatado, incluindo prazos, orçamento e objetivos definidos. Alterações ao plano inicial devem ser comunicadas à entidade gestora.
Muitos apoios financeiros incluem auditorias durante ou após a execução do projeto, para verificar se a despesa realizada corresponde ao que foi aprovado. O acompanhamento nesta fase reduz o risco de correções financeiras.
O processo só termina, formalmente, com o encerramento do projeto junto da entidade gestora. Este passo é frequentemente subestimado, apesar de ser tão relevante para o resultado final como a candidatura inicial.
“A candidatura é o início do processo, não o fim. É na execução e no encerramento que muitos projetos perdem parte do valor aprovado.” — Miguel Prata, MP Negócios
Uma empresa pode candidatar-se a mais do que um tipo de apoio financeiro em simultâneo?
Em muitos casos sim, desde que não haja duplicação de financiamento para a mesma despesa. A combinação de incentivos exige, no entanto, uma análise cuidada.
O financiamento bancário conta como apoio financeiro público?
Não. É crédito concedido por uma instituição financeira, sujeito a negociação e a garantias, sem natureza de incentivo público.
Que documentos costumam ser pedidos numa candidatura a um incentivo ao investimento?
Normalmente memória descritiva do projeto, orçamento detalhado, comprovativos da situação fiscal e contributiva da empresa e outra documentação da empresa e consoante o aviso, estudos ou projeções financeiras.
O que acontece se o projeto não cumprir integralmente o que foi candidatado?
Pode haver redução proporcional do incentivo ou, em casos mais graves, obrigação de devolução da verba atribuída. Por isso o acompanhamento da execução é tão importante como a candidatura.
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Descobrir apoios financeirosEste artigo tem carácter informativo e não substitui uma análise de viabilidade específica, que depende sempre da situação concreta de cada empresa e do enquadramento em vigor no momento da candidatura.