Recorrer a fundos de investimento é uma das formas de capitalizar uma empresa, mas está longe de ser a única, e nem sempre é a mais adequada. Este artigo explica em que situações os fundos de investimento fazem sentido, que vantagens e limitações trazem, e ajuda a perceber quando faz mais sentido considerar alternativas aos fundos de investimento acompanhadas pela MP Negócios.
- Os fundos de investimento fazem mais sentido para empresas com potencial de crescimento acelerado, sobretudo startups e scale-ups em fase de expansão.
- Entre as principais vantagens estão a rapidez de acesso a capital, a dimensão dos montantes disponíveis e o acesso a redes de contactos e experiência de gestão.
- Uma limitação central é a diluição de capital: recorrer a fundos de investimento implica, quase sempre, ceder uma parte da empresa.
- As sociedades gestoras de fundos de capital de risco em Portugal estão sujeitas a registo e supervisão da CMVM.
- Os fundos de investimento tendem a assumir um papel ativo na gestão, incluindo lugar em órgãos sociais, o que nem toda a empresa está preparada para aceitar.
- Para projetos com necessidades de financiamento mais pontuais, o crédito bancário ou os incentivos públicos podem ser alternativas mais adequadas do que ceder capital.
- A decisão entre fundos de investimento e outras formas de financiamento depende do estágio da empresa, do grau de controlo que os sócios querem manter e da natureza do projeto.

Os fundos de investimento fazem mais sentido quando a empresa tem um potencial de crescimento claramente acima da média, mas ainda não gera cash flow suficiente para se financiar por via bancária em condições vantajosas. É o caso típico de startups tecnológicas em fase de expansão, ou de empresas que precisam de escalar rapidamente para não perder uma janela de mercado.
Também fazem sentido quando o projeto exige mais do que capital: quando a empresa beneficia de conhecimento de gestão, rede de contactos ou experiência sectorial que um investidor especializado pode trazer, para além do dinheiro investido.
Nem todas as empresas se enquadram neste perfil. Negócios mais maduros, com fluxo de caixa estável e crescimento sustentado, tendem a beneficiar mais de financiamento bancário ou de incentivos públicos do que de capital externo com diluição associada.
“Um fundo de investimento não financia a empresa que existe hoje. Financia a empresa que promete existir daqui a três ou cinco anos. Se essa promessa não for credível, este não é o caminho certo.” — Miguel Prata, MP Negócios
A rapidez é uma das vantagens mais citadas. Um processo de investimento por fundo de capital de risco, uma vez validado o projeto, pode disponibilizar capital mais rapidamente do que um processo de candidatura a um incentivo público, que depende de calendários de avisos e de prazos de avaliação mais longos.
A dimensão de capital disponível também costuma ser superior à de outras fontes de financiamento, especialmente em rondas de investimento dirigidas a empresas com necessidades de capital intensivo, como desenvolvimento tecnológico ou expansão internacional.
O acesso a redes de contactos é outra vantagem relevante. As sociedades de capital de risco, ao investirem, trazem frequentemente experiência de gestão, ligações a outros investidores e conhecimento de mercado que ajudam a acelerar o crescimento da empresa investida, além do capital propriamente dito.
A diluição de capital é a limitação mais evidente. Ceder uma parte da empresa a um fundo de investimento significa partilhar, de forma permanente, a propriedade e, muitas vezes, parte do controlo sobre decisões estratégicas.
Os fundos de investimento costumam assumir um papel ativo na gestão, incluindo presença em órgãos sociais. Para muitos sócios fundadores, esta perda de autonomia de decisão pode pesar tanto quanto a diluição de capital.
O capital de risco está reconhecido pelo gov.pt como uma forma de financiamento através de capitais próprios, por um período temporário, o que implica um processo de due diligence mais exigente antes de qualquer investimento ser concretizado. Este processo pode ser mais moroso do que se espera numa fase inicial de negociação.
Há ainda a considerar o horizonte temporal. Um fundo de investimento espera, tipicamente, um retorno num prazo definido, o que pode criar pressão para decisões de crescimento acelerado que nem sempre coincidem com o ritmo mais sustentável que a empresa preferiria seguir.
“A pergunta certa não é se o fundo de investimento é uma boa opção em abstrato. É se a empresa está disposta a partilhar propriedade e controlo em troca da velocidade e da dimensão de capital que o fundo oferece.” — Miguel Prata, MP Negócios
Uma empresa precisa de já ter faturação para aceder a fundos de investimento?
Não necessariamente. Muitos fundos investem em fases iniciais, com base no potencial do projeto e da equipa, mas os critérios variam consoante o tipo e a fase do fundo.
É possível combinar fundos de investimento com incentivos públicos no mesmo projeto?
Sim, e a lógica é diferente da que existe entre incentivos públicos entre si. Um fundo de investimento entra no capital da empresa, não financia despesas específicas de um projeto, por isso não há, à partida, sobreposição direta com um incentivo que financia uma despesa elegível concreta. A MP Negócios não atua como intermediária de fundos de investimento, mas pode apoiar o enquadramento em incentivos públicos complementares ao investimento recebido.
Que percentagem da empresa costuma ser cedida a um fundo de investimento?
Varia muito consoante a ronda, o setor e a valorização da empresa, não havendo uma percentagem-padrão que se aplique de forma generalizada.
Quando faz mais sentido optar por financiamento bancário em vez de um fundo de investimento?
Quando a empresa já tem histórico financeiro estável, prefere manter o controlo total da gestão e não precisa de capital de dimensão tão elevada como a que um fundo pode disponibilizar.
Está a avaliar as opções de financiamento para o seu projeto? Vamos falar sobre o seu caso, descubra a alternativa a fundos de investimento mais indicada para o seu caso.
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